- Na verdade eu pulei pra vida mesmo, é olhar ao redor meu amigo. Resolvi deixar essa briga entre a montanha e a planície francesa de lado tem um tempo. Meu grupo de capoeira, atualmente e felizmente, é formado por nordestinos, negros e mulheres. Eu ir contra eles e votar em qualquer animal seria um erro gigante. Eu iria abrir margem pra toda atrocidade que poderia infligir um dano letal neles. Minha consciência de classe não me permite isso.
- Pessoas e estruturas sociais são diferentes.
- São sim, mas por sorte não sofro da síndrome de dona Florinda, que foge da sua noção de classe por ser uma viúva que recebe pensão militar e nega sua realidade de moradora de um cortiço/vila mexicana, não alimento meu lado Kiko que acha todo mundo abaixo dele seria uma gentalha, tento não ser um senhor Barriga, a alma burguesa do programa que aceita a média da vida de senhores madrugas em sua realidade pra não ter problema com o proletariado. Quem faz piada com a dificuldade alheia deveria se ligar que as vezes a salvação do dia é o sanduíche de presunto que quase nunca chega, o pirulito amarelo que apareceu do nada e o barril que tanto foi usado é a fuga de todo pobre sem rumo, q some, silencia e não tem como subir na vida, pois já nasceu numa guerra histórica imposta por uma herança da elite dominante. Aquele simbólico movimento de descer cano abaixo chorando entra em contradição com toda pancada que o Chaves (a pobreza) dá no seu Barriga (a riqueza), ou seja, na realidade é a consciência de que toda a alma pobre deveria bater no padrão imposto e avisar para todos da necessidade de equidade. Essa quase sempre anulada e silenciada no mundo. Nem toda realidade tem o Chapolin colorado que aparece na primeira frase: - "oh! E agora quem poderá nos defender?"
Aqui é o Brasil, não a vila que tinha como maior medo a Bruxa do 71. Quase todos os novos medos são reais e não adianta evitar a fadiga do trabalho e gritar outro gato. O ruim mesmo vai ser sempre não saber até quando ter que trabalhar é praga ou salvação.


