terça-feira, 13 de abril de 2021

Quando os olhos se encontram

 Descobri que me tornei uma pessoa mais triste nesses últimos tempos. Andei pensando sobre como é viver depois que a gente perde algumas pessoas. Todo o dia me vem isso na mente, não é uma questão de superar, o blábláblá do "Deixa a pessoa seguir", ou como disse Contardo Calligaris à sua esposa ao ser perguntado o que seria da vida dela após sua morte e ele disse - O que você quiser que seja. Perder pessoas faz a gente ficar mais triste, não posso dizer mais velho, mas mais triste hoje tenho certeza.

Quase todos os dias rememoro coisas que me ligam aos que já não estão mais aqui. Coloco o feijão por cima do arroz, pois uma vez brinquei com meu avô sobre esse costume dele, com a cara mais zangada do mundo ele me disse, o feijão é para molhar o arroz, não para afogá-lo. Experimenta um dia e veja a diferença, passados alguns anos, cá estou eu colocando o feijão sempre por cima do arroz e ao contrário acho estranho. Minha avó sempre tinha uma brincadeira de ficar me beliscando quando eu era mais novo, com a mão, ou com o pé, a brincadeira do pim, ou vinha com o dedão, o indicador do pé e tascava um beliscão na minha perna. Hoje em dia pego tudo com o pé, não tenho o hábito de pegar as coisas com a mão quando caem, já vou direto usando o pé. Descobri que toda vez que toco pandeiro ou escuto música de capoeira lembro do meu amigo.

Essas últimas semanas caiu a ficha que não sei mais rir como antigamente, estou mais triste, não que seja ruim, é só diferente. Com o passar do tempo a gente deixa de ser alegre, passa a ser satisfeito e se acostuma. Só que algo me diz, que eu sei disso, mas não devia. 2021 de longe está sendo o ano em que eu mais tenho perdido o tesão por ver o lado bom da vida. 

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