Tocar o interfone, falar alto - vô!
Escutar - Prontoooo!
Tranca desbloqueia, passo pelo portão
Olho as plantas, abro a porta, subo as escadas
- Olá meu querido! Como andas?
- Estou bem, como estão as coisas?
- Entra, que bom que você veio.
O caminhar calmo, já andava com certa dificuldade, mas nunca parava.
Depois desse portão era tudo um retorno, uma acolhida, uma pausa no tempo.
Conversas trocadas, o café passado.
Eu sempre duro, não na queda, mas no jeito.
Ele sempre brincalhão e firme.
Virei um predicado nominal, depois do seu último verbo de ação.
Sempre estou.
Depois desse portão, tomei café, sorri, busquei abraço e bronca.
Carrego uma mochila com um mapa
Descobri que saudade vira tristeza
- Não cabe mais.
Não odeio mais café.
Recentemente entre um bolo de cenoura com calda de chocolate
Perguntaram se eu queria café, respondi que não tomava.
Lembrei de você na hora e sorri.
Comi o bolo.
No passar do barco do Valtari não encontrei mais tristeza
Ainda tenho saudade, pouco falo de você e muito lembro
Guardei comigo e pra mim as lembranças, reli nossos últimos e-mails.
Repito hoje sua despedida repetida. - Do neto que te quer bem e te ama. Seja lá aonde você estiver.