domingo, 23 de maio de 2021

Meu mestre de capoeira

Gostei da composição que vi no treino por acaso- a gente perde umas coisas em formatos maneiros por conta da rotina-, pensei eu depois que cheguei em casa, há um tempo aprendi a armar berimbau, porém tenho certo receio, pois quebro verga com rotina devido ao excesso de força e falta de jeito. 

Meu mestre já ensinou várias formas de armar e minimizar a possibilidade disso acontecer, meu mestre ensina tudo do contexto da capoeira na medida do possível, anel da cabaça, barbante da corda, como fazer um arame, como raspar a verga com caco de vidro sem se machucar, qual parte da garrafa quebrada é o com maior apoio, firmeza e raspa mais a verga. 

O mesmo me ensinou as bases de um alongamento, a partir disso eu faço alongamento todos os dias, em qualquer lugar e sempre que dá. Eu era todo atrofiado e encurtado devido ao tempo de hipertrofia na época da academia. Graças a ele eu aprendi a tocar pandeiro, berimbau e os instrumentos da bateria de capoeira, quem me conhece de perto, sabe toda a minha dificuldade de coordenação motora, ritmo e música. Hoje em dia, graças a ele eu consigo cantar um repertório musical extenso, entre músicas de capoeira e as infantis.
 
Quem conhece tem o costume de dizer do jogo ser elegante, na minha opinião é o saber se comportar nos locais, falo para ele com regularidade. A qualidade mais forte são os fundamentos, os que ele permanece realizando na capoeira, os que são resgatados, por ser coerente com a filosofia dele.  Os dele mesmo: "Quero o jogo plástico, eficiente, curtam o jogo, joguem com a pessoa e não contra ela."
Meu mestre saiu de uma cidade do interior da Paraíba, pra melhorar de vida, aquelas histórias romantizadas nas novelas são reais, eu só conhecia por ficção. E aí ele me mostrou que estão aos montes pelas comunidades do RJ.

Trabalhar com capoeira só acontece hoje, pois têm 10 anos de conserto e lapidação aqui. Eu ia largar a capoeira por ter muita dificuldade e ver coisas desnecessárias. Só continuei até hoje por conta dele, por um desvio no caminho da faculdade. Tem muito do que ele me ensina por aqui.

Todo aluno deveria ter essa letra em mente - Mas se precisar de mim oh meu mestre? Manda me chamar.

quarta-feira, 12 de maio de 2021

Quando o Brasil pegou governit-19

 Somos o país que o pecado não chegou. Mataram, roubaram, escravizaram, entubaram e deixaram a mingua, outro zé no asfalto. Éramos muitos, um tempo depois milhares, somos o país que começou na chegada dos portugueses - assim dizem eles -, entramos na dúvida se recebemos o nome pelo produto econômico de cor vermelha, ou por um explorador fenício, ao fim recebemos o título dos trabalhadores de uma extração saqueada de madeira - nosso primeiro registro de CLT na modalidade moderno, pagamento por destruição - digo produção. 

Conta a historiografia portuguesa que fomos conquistados, na brasileira descobertos. Cada um aceita a versão que achar mais melhor de bom, todavia esquecemos da Rebelião de Vila Rica, da Inconfidência Baiana, esquece a mineira, tudo farinha do mesmo saco que votaria no Capitão Cloroquina do seu tempo, chama o povo da balaiada, sabinada, não esqueça dos lanceiros negros entregues à morte pelos revolucionários farroupilhas. Chegamos ao Império brasileiro com um português no poder, a República em um golpe, mais um de outros tantos, mas caso queira recordar a cara de taxo do Imperador intelectual do Brasil, vá até o museu Imperial de Petrópolis!

Formos comparar o Brasil político com a atualidade do mundo é simples. O distanciamento social seria o Ciro - quanto mais longe do Coronelismo melhor. Lula seria o respirador - a última salvação para alguém catatônico -, Bolsonaro seria o cancro do Brasil, o roubo, o jeitinho brasileiro que nasceu no Brasil Colônia, a ideia fajuta de que as leis não atingem todos, são frouxas para alguns e pesadas para outros. No condomínio da Zona Sul se toca a campainha, no portal atemporal da verdadeira realidade brasileira é na bala e caveirão. 

Cada respirador superfaturado, remédio comprado de forma errada, dinheiro guardado na caixa de Pandora que foi soterrando a esperança do brasileiro para um dia melhor. A vacina do Brasil não vem na próxima remessa da China, nem na mochila das ideias Russas da Sputink-V. Entre Freixos e frouxos, ficamos a mercê de implacáveis Dórias, despotistas iluminados ou invasores da Magna Grécia, eternos espartanos na luta pela vitória de novas Covas e Paes. 

segunda-feira, 10 de maio de 2021

Seja algo apesar do agora.

 Aceitável é acordar cansado depois do dia anterior ser pesado, aceitável é abrir um pouco o cinto após uma feijoada, comer mais um pedaço de carne só de olho grande, comer um pacote de biscoito recheado, ou 3. Aceitável é olhar o quarto bagunçado por conta da correria da semana, aceitável é aceitar que nem sempre vai dar tempo de encontrar todo mundo que a gente quer. Aceitável é olhar as coisas e pensar - até que poderia tá pior. Aceitável é ouvir a mesma música por horas, pois gostou do embalo que ela da no dia, aceitável é ficar rolando a tela do Netflix e não saber o quer ver. 

Aceitável é tudo aquilo que não maltrata a gente.

Inaceitável é tomar um remédio errado e ter o coração parado, inaceitável é ver um remédio ser manipulado e posto para algo que ele não tem serventia, inaceitável é ver um remédio destruir seu fígado por sobrecarga. Inaceitável é ver a violência entrando pela janela de casa, pela porta do vizinho ou no beco mais próximo. Inaceitável é ouvir várias músicas que contam a realidade e só focar na batida/ritmo. 

Inaceitável é tudo aquilo que maltrata a gente.

É inaceitável achar aceitável o simbolismo infernal de viver com uma gravata apertada no pescoço, um sapato novo que machuca o dedo mindinho, o sutiã desconfortável, a pessoa que não para de falar sobre algo que não serve de nada na nossa vida, inaceitável é um animal que fala cuestão em rede nacional.

Aceitável é o almoço em família em pleno dia de semana, caso não consiga, final de semana serve também. É ver desenho no meio da semana, dormir junto com quem a gente gosta, dar uma aula diferente para seus alunos e notar uma luz brotando no olho da criança por sair da rotina estudantil.

Por últimos e os primordiais. Aceitável é não ser uma bosta de ser humano com o passar do tempo, dá sempre pra melhorar um pouco.

Inaceitável é continuar vivendo após esses últimos dois anos, 2020/2021 e continuar sendo mais um bosta nesse mundo. Todo brasileiro tem total consciência de como ser um humano imundo traz mazela pra vida. É melhor ser a pessoa que usa a perna pra empurrar a pessoa para cima, rasteira só é divertida na roda de capoeira.