Naturalizamos a barbaria dizem os jornais, as mortes pela Covid-19 não chamam mais atenção, todavia um processo como esse não nasceu entre 2020 e 2021.
Antes da morte existe a violência, no geral podemos dizer algumas que todo o brasileiro e vou me resumir ao carioca já sofreu:
Todo carioca já continuou andando ao escutar tiros, só se espanta com um tiroteio aquele carioca que descobre que a bala se torna achada. Quando entra em contato com alguma coisa, muro, teto, telha, varanda, braço, perna, pescoço ou uma criança no jornal, todo o resto é simplesmente uma bala perdida. Outro ponto, naturalizamos a violência que a gente causa no transporte público, pois qualquer pessoa já lutou por um lugar no trem expresso da Central, ficou se empurrando, grudado na porta, até que elas se abram e a luta começa, com seu semelhante do lado, pelo lugar do transporte público que deve se torna seu por algumas horas, caso você seja o lírio dourado do campo da meritocracia pós 8/10 horas de trabalho - esse é meu lugar! ninguém me tira!". Chegamos aos conceitos de propriedade privada temporário entre a Supervia ou Metrô Rio.
Dentro do ônibus é quando a gente finge que bateu o sono depois da feijoada, nesse caso, todo cidadão que entra no antigo rótulo de preferencial é o caldeirão de algum samba.
Eu gostaria de falar outras, mas existe um leque gigante aqui, essas são as que eu vejo sempre e me incomodo.
Já têm algumas semanas que vejo um garoto no trem do Ramal Santa Cruz vendendo bala, biscoito ou doce. Esse é mais velho que meus alunos das creches que trabalho, uns 3 anos, não acredito que ele tenha mais de 8 anos. Ele aos 7 trabalha horas no trem, outros estão aprendendo capoeira de forma pedagógica e me pergunto qual motivo aquele menino não deveria tá na escola e não ali. Vão dizer que é melhor ele trabalhando do que aprendendo besteira na rua. Sempre vou dizer que seria melhor ele estudando e não precisando trabalhar dentro de uma realidade que não faz parte da faixa-etária dele. Trabalhar é ótimo, mas o trem, a rua e a vida é um lugar violento. São necessárias escolas para proteger a nova geração da violência, a prova disso chegou com peso de cheque-especial para todos.
Transformamos a violência e morte em algo normal, pois já convivemos com ela todos os dias, naquele velho ditado "farinha pouca, meu pirão primeiro". A gente transformou a sociedade em um verdadeiro The Walking Dead, só esquecemos de olhar um ponto despercebido da série. Os zumbis vivem em harmonia sem se atacar e dividindo o alimento e os humanos?

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