sexta-feira, 5 de março de 2021

Minha lista de saudade

Queria ter tido mais tempo.

Não sei lidar com saudade, essa falta não me faz falta. Esse cansaço de não conseguir parar, essa vontade de ficar ali, no passado, sem me mexer, sem falar, só percebendo que a vida era melhor no antigamente, pois o hoje machuca. Queria te ver outra vez.

Não quero perde a lembrança da voz da pessoa amada depois que ela se foi, não quero deixar os dias monótonos de lado.

Descobri dois tipos de saudades. Há Mal-saudade e a Bem-saudade. 

Mal-saudade é aquela que da um nó na garganta, não passa, machuca e deixa a gente com o olho represado, aquela vontade de chorar que a gente não consegue soltar.

Bem-saudade é aquela da lembrança feliz, da que você lembra que valeu a pena cada dia, cada minuto. Que faz você rir no meio da rua, quando atravessa o sinal vermelho, que algumas pessoas não sabem o porquê daquele sorriso estampado no rosto, com àquela cara de criança arteira em plena sexta-feira de uma aula de capoeira. 

Mal-saudade é sentir solidão em um quarto escuro e saber que a pessoa amada nunca mais vai falar um: "que bom ver você!"

Não queria ter atualizada a minha lista de saudades, queria deixar ela num canto, naquele caderno esquecido que a gente para de usar. Meu amigo, minha avó, meu avô, cada um ali, não queria ver essa lista assim, cada um que vai, vai levando um pouco daqui também.

Ele ou ela, seja quem for a pessoa que você amar, depois da morte nunca mais volta.


Nenhum comentário: